Os caçadores de Deus
- Nicolle Kate
- 30 de jan. de 2024
- 4 min de leitura
Para os leitores que buscam uma escrita que desafia o mais profundo do nosso ser a sair da zona de conforto, posso afirmar que este é o seu livro. Ao longo de suas páginas você irá se deparar com um escritor sedento por uma geração posicionada e que anseia mais pela face do Senhor e nos convida a ativarmos essa sede em nós e em nossas igrejas.
O livro nos mostra com duras e diretas palavras que tudo que estamos fazendo como Igreja é na realidade mendigar migalhas da presença e da glória de Deus, anunciamos que Deus está inteiramente ali quando na verdade não está, sabe por quê? Porque não estamos famintos o suficiente. Estamos caçando em baixo dos tapetes das nossa igrejas um pouquinho da presença, apenas para satisfazer momentaneamente nossa fome, mas a realidade é que não temos nada para entregar aos famintos e Deus gostaria de entregar o alimento completo, o Pão divino da Sua presença, mas isso só será necessário se estivermos realmente com fome de ter mais do Senhor conosco. Muitas vezes afirmamos que Deus estava na igreja, e Ele poderia realmente estar, mas não havia o suficiente dEle. Falamos muito sobre a glória do Senhor inundando a terra, mas como ela fluirá pelas ruas das cidades se não há o suficiente dela para fluir pelos corredores de nossas igrejas? O verdadeiro avivamento não acontecerá enquanto as pessoas famintas continuarem a ver mais o homem e do seu orgulho do que Deus em nossas igrejas. Deus está angustiado e perguntando a nós: “quem Me ama? Quem Me amará mesmo se todas as coisas que acompanham os seus rituais religiosos se acabarem?” Vamos buscar mais o Avivador em lugar do avivamento!
“Nenhum avivamento ocorreu simplesmente porque as pessoas estavam buscando o avivamento; eles aconteceram quando as pessoas buscavam Deus.” O livro não só nos convida a despertarmos nossa fome e anseio por Deus, mas a sairmos da zona de conforto e morrermos em busca da face dEle. O favor de Deus só está presente onde sua face está. Moisés foi alertado por Deus: “Mas você não poderá olhar diretamente para minha face, pois ninguém pode me ver e continuar vivo”. - (Êxodo 33:20) O Senhor nos alerta: a única maneira de vocês encontrarem a minha face, se aproximarem de mim e de me pertencerem é através da morte da carne; através do arrependimento, quebrantamento, temor e humildade perante o Deus Todo-Poderoso.
Uma frase que me chamou a atenção foi “Temos orado para que o fogo caia, mas o altar está vazio!" O altar nunca foi um lugar de bençãos, pois ele é um lugar de morte. No altar é necessário um sacrifício! Vai doer, vai machucar, mas só assim estaremos prontos para pertencermos 100% ao Senhor e encontramos a Sua face, porque até então estamos sendo uma Igreja parcialmente pura e parcialmente entregue que não quer assumir um compromisso 100% leal ao Senhor, que não quer se portar como noiva e sim como namorada de Deus, que anseia pela provisão e pela benção e não pelo Provedor e Abençoador.
Estamos querendo um mediador entre nós e Deus, assim como o povo de Israel queria que Moisés fosse o mediador entre eles e o Senhor. Mesmo Deus querendo transformar o seu povo em uma sociedade sacerdotal santa e ter acesso e intimidade íntima com cada um do seu povo, eles se recusaram a ir, por quê? Porque os israelitas sabiam que haveria um preço se entrassem na Presença; se tivesse alguma coisa viva ali, ela teria de morrer para que o Espírito vivesse eternamente.
Além disso, outro ponto que me chamou muito a atenção é uma reflexão do autor a nós sobre como estamos carregando e portando a presença de Deus. Será que estamos realmente capacitados para conduzir a presença e a glória manifesta de Deus para nossas igrejas? Ou será que estamos fazendo como Uzá, que segurou a Arca da Aliança com as próprias mãos, humanas e carnais ao invés de ter o devido respeito e reverência ao Senhor? Nenhuma carne vai prevalecer diante da presença dEle, estamos realmente prontos para isso? O Senhor está nos dizendo: “Chega de sensacionalismo! Vocês declaram por aí que chorar, tremer, se arrepiar é a manifestação da Minha glória, vocês tem certeza disso?” A manifestação de Deus tem mais a ver com uma habitação no meio do seu povo, mas com um preço em troca. Deus quer que pertençamos a Ele, quer a porção completa de nós, mas para isso, tudo que há em nós vai ter que perecer e isso é uma escolha que devemos fazer: vamos pertencer a Ele e deixar que Deus tenha 100% de nós, ou vamos nos dar falsas esperanças de que 60% está bom?
Não podemos buscar a face de Deus e deixarmos nossas próprias faces preservadas. O fim de nossas glórias pessoais é o começo da glória dEle. Façamos como Maria que limpava os pés de Jesus com lágrimas, como um claro sinal de arrependimento, buscando uma mínima chance de ser perdoada, secando os pés com seu cabelo (sua própria glória, visto que o cabelo da mulher naquela época era sempre preso e coberto com um véu, pois ele representava a glória da mulher) e ungindo Seus pés com óleo; portanto Maria se entregou a Ele, o honrou e deixou sua própria glória e orgulho em busca da manifestação da glória do Senhor. “Não existe atalho para o avivamento ou para a vinda da presença de Deus. A glória de Deus só virá quando o arrependimento e o quebrantamento fizerem com que você se ajoelhe, pois a presença do Senhor requer pureza. Somente os mortos verão a face de Deus.” Ele está em busca de pessoas que ardem em busca de Seu coração e isso exige intimidade e um preço a ser pago, afinal: “A salvação é um dom gratuito, mas a glória de Deus nos custará tudo.”
No fim, esse é um resumo desse livro que nos faz questionar se estamos realmente mortos ou se estamos fugindo da presença para não termos que pagar o preço. E para finalizar, te convido a responder a si mesmo: Você realmente O conhece e O deseja da maneira mais pura e sacrificial possível?




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