Mulheres que cuidam
- Nicolle Kate
- 31 de jan. de 2025
- 6 min de leitura
Através dessa narrativa são abordados diversos assuntos que abrangem o espaço de atuação da mulher cristã nos mais diversos ministérios, seja dentro da igreja, ou na sociedade em geral. Sobre a dinâmica de escrita do livro: essa obra conta com mais de vinte mulheres que, a cada capítulo, expõem suas verdadeiras vivências da jornada do ministério cristão, independente da área em que elas estejam inseridas, e o mais importante de tudo, é a exposição real de como vivem essa jornada sendo mulheres. Nas primeiras temáticas iremos aprofundar e discorrer de maneira mais extensa a cerca dos conteúdos expostos.
O primeiro ponto a destacar e que já nos esclarece muito sobre como é o funcionamento do ministério é sobre o "Sacerdócio Universal dos cristãos", afinal, existem ministérios designados e destinados apenas aos homens? O livro cita uma menção bíblica que pode nos auxiliar a entender sobre qual a função de todos nós, homens e mulheres, como cristãos:
“Mas vocês são a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. 1 Pedro 2: 9
Com base na interpretação desse texto e em seu contexto bíblico, compreende-se, portanto, que o sacerdócio não se aplica apenas a uma classe específica, mas à toda comunidade. O livro cita Lutero em sua afirmação de que "todo cristão verdadeiro poderia fazer aquilo que o sacerdote do Antigo Testamento fazia: chegar-se diretamente a Deus, interceder por outras pessoas, aconselhar, confortar, encorajar seus irmãos, oferecer louvores e pregar a Palavra." Logo, o sacerdócio universal de todo cristão envolve atividades como ir, pregar o evangelho, batizar e ensinar os mandamentos de Jesus, a fim de que sejam obedecidos, levando a Igreja em uma expansão de conhecimento e crescimento; atividades estas que podem ser realizadas tanto por homens como por mulheres. Outro ponto a ser destacado é que o ministério possui duas vertentes, chamadas pelo teólogo e pastor Tim Keller de: Ministério ordenado e Ministério leigo; ambos possuem a mesma função de sacerdócio, porém a designação de onde será aplicado esse ministério é diferente. Enquanto o ministério ordenado é focado no desempenho de ministração na Igreja (equipando o leigo ao discipulado), o ministério leigo é focado para o mundo, atuando nas 'esferas de influência', por exemplo, na família, escola, trabalho, ou na própria igreja. E através dessa breve explicação do sacerdócio universal dos cristãos, podemos adentrar na temática central do livro: A mulher em ministério. Nessa temática é possível compreender que qualquer mulher, discípula de Cristo, que sirva e Deus em sua 'esfera de influência' é ministra. Logo, seja a mulher dona de casa que serve a sua família e ao Senhor, seja a profissional que é excelente e se destaca no que faz e serve a Cristo, ambas são ministras do Senhor — nesse caso, exercendo o ministério leigo, porém, é claro que temos mulheres que têm por ofício o ministério ordenado, seja como pastoras, missionárias, pregadoras, capelãs, teólogas, entre outras. E com base nessa definição sobre o ministério da mulher seguimos com "Reflexões teológicas sobre o papel da mulher." A autora ressalta que a criação da mulher foi planejada por Deus à humanidade, assim como o homem; possuindo tanto os atributos da emoção, quanto da razão. Durante longos períodos a mulher foi vista como um ser do mal — teoria esta que foi aprovada e defendida por muitos filósofos, teóricos e pesquisadores como Tertuliano. Esta visão de que a mulher foi originada nas trevas foi sendo normatizada ao longo das evoluções socio-culturais, colocando-a como um ser do mal, de tentações, desvios, quedas e descaminhos do homem. E por causa dessa perspectiva, surgiu a necessidade de que deixassem as mulheres mais contidas, pois ela em lugares de inclusão iriam trazer "desordem divina" nos contextos sociais, eclesiásticos e familiares. Porém, partindo da interpretação da Bíblia, Gênesis 1:26-27 nos revela o oposto disso:
"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou." Gênesis 1: 26-27
Esta passagem aponta claramente que a mulher, assim como o homem, foi planejada e criada por Deus. O livro cita Franklin Ferreira e Myatt em suas falas: "[...] Em nada a mulher é inferior ao homem. Ela foi feita para ser ajudadora, uma palavra usada para descrever até como Deus ajuda o homem." Partindo desse ponto, a autora enfatiza que o termo "ajudadora" ou "auxiliadora" possui compreensões equivocadas, insinuando que a mulher recebeu a missão de suprir o homem. Toda essa interpretação passa por lentes ajustadas em pressupostos culturais seculares, sem amparo bíblico. A expressão original para expor quem é a mulher, segundo a Bíblia, é 'Ezer Kenegdo'. Essa expressão é soberana em relação ao termo de auxiliadora e coloca a mulher como protagonista de uma missão, em uma relação de igualdade com o homem, em parceria no cuidado do mundo. A masculinidade bíblica muitas vezes é entendida como uma capacitação racional dada por Deus ao homem, e a feminilidade bíblica, como uma capacitação emocional dada à mulher. A partir dessa interpretação (falsa), é impossível assimilar a mulher, chamada por essa visão como "ser emocional", como um ser que possui a mesma missão de administrar o mundo, em parceria com o homem, o "ser racional", que seria o responsável por governar, liderar, administrar e organizar as demandas de cuidado do planeta. A 'Perspectiva Complementarista' defende essa ideia hierárquica do homem para com a mulher, e esse conceito se fortaleceu, principalmente, com embasamentos provenientes da filosofia e ciência na era do Iluminismo. Até mesmo grandes reformadores enxergavam as mulheres com desprezo, e nesse período, as ideias gregas que existiam antes de Jesus ganharam ainda mais força em relação à polarização entre 'homem-razão' e 'mulher-emoção'. Descartes defendia a tese de que o terreno da razão é relacionado ao bom senso e à objetividade, diferentemente da emoção. Esse terreno da razão ou 'condição racional' daria ao homem a capacidade de observar e tudo que pode ser observado torna-se um objeto. Portanto, a mulher, por ser considerada por estes teóricos como limitada em sua capacidade racional, passou a ser vista como um objeto, instrumento de charme e prestígio. Essa subjugação da mulher tem relação com o "Pós- Queda", não com o plano original de Deus para ela. Mas, felizmente, todos esses aspectos da imagem de Deus que foram perdidos e feridos, foram restaurados mediante a redenção em Cristo, pois n'Ele surgiu a igualdade para a humanidade. Homens e mulheres passaram a ser considerados iguais e coerdeiros da graça divina - (Gl 2: 26-29). Nesse andamento, o livro começa com mais um tópico profundo dessa obra: Os impactos das mulheres na história da Igreja. A autora desta parte comenta sobre a quase inexistência da literatura cristã com participação feminina, tanto no ato de escrita quanto em personagens das narrativas. A autora cita algumas mulheres que não abandonaram sua fé em Cristo e, apesar de terem sido anuladas e perseguidas, se mantiveram alicerçadas na Rocha. Após uma série de relatos da participação das mulheres em diferentes contextos históricos-culturais, o livro aponta a informação de que as primeiras mulheres a adotarem as doutrinas reformadoras foram nobres eruditas que conheciam as línguas clássicas, além de ter acesso à Bíblia; graças a isso, no Renascimento e na Reforma, muitas mulheres começaram a se movimentar e atuar, principalmente na Europa, levantando causas a serem defendidas — seja no ministério leigo ou no ministério ordenado. Essas mulheres impactaram uma sociedade, cada uma em sua 'esfera de influência' com vida simples, mas temente a Deus. A temática do livro expõe de maneira extraordinária o quanto o simples do dia a dia glorifica a Deus; através de cada escritora foram sendo expostas inúmeras áreas do nosso cotidiano que às vezes possuímos certa dificuldade em desenvolver, algumas dessas àreas são: atividade física, alimentação, doenças da alma, luto, prática da leitura, divórcio, casamento, cuidado com os filhos, profissão e ministério, missões, entre outros temas. Em todos os assuntos, a pauta em comum aplicada a eles é que, enquanto filhas de Deus nosso papel é viver para glorificá-lo não para nos engrandecer.
"O mundo constantemente dirá que você nasceu para brilhar, para ser feliz! Isso é uma falácia! Você nasceu para a glória de Deus. Glorificá-lo ao cumprir seus propósitos e viver para a glória dele fará de você mais feliz e realizada."
Ao final desse livro descobrimos nossas duas funções que acontecem de forma simultânea: somos ovelhas e somos pastoras. Nosso papel é nos permitirmos sermos moldadas e guiadas pelo nosso Pastor e deixar que ele nos use afim de que venhamos fluir e pastorear o rebanho d'Ele, fazendo tudo para a honra, glória e louvor do seu Nome. Cuide-se e viva uma vida com propósito nEle, pois é disso que o Reino dos céus precisa, de homens e mulheres que caminhem segundo a vontade de Deus, vivendo cada momento dos seus dias em prol da missão que nos foi dada: ir por todo o mundo, e pregar o evangelho a toda criatura.




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